O amor, a arte e o feminino: Frida Khalo

Sublinhou André Breton (1938) em Lê surréalisme at la peinture definindo que a arte de Frida Kahlo de Rivera é um laço de fita em torno de uma bomba e ela mesma se define ( )yo soy la desintegración...( ) escrito em um dos seus desenhos de seu Diário. Frida Kahlo foi, em verdade, uma mulher que despertou amor e ódio, admiração e inveja de homens e mulheres. Paixão em alguns dos mais importantes personagens de seu tempo como Diego Rivera, Leon Trosty e André Breton. A vida amorosa de Frida com Diego Rivera, pintor mexicano muralista e seu marido se caracterizou por situações de ruptura, sofrimento, dor e paixão.
Frida Kahlo, artista plástica mexicana, de Coyoacán, México. Uma revolucionária e libertária. Sobressaiu-se ao lado das vanguardas, principalmente do surrealismo. Seu legado mostra à civilização sua sensibilidade ainda hoje. Filha de um fotógrafo judeu-alemão e uma mestiça
mexicana, sua vida sempre foi marcada por grandes tragédias e grandes angústias; aos seis anos contraiu poliomielite e permaneceu um longo tempo de cama. Recuperou-se, mas sua perna direita ficou afetada. Teve de conviver com um pé atrofiado e uma perna mais fina que a outra.
Quando pode assimilar melhor essa deficiência, o ônibus em que estava chocou-se contra um bonde. Ela sofreu múltiplas fraturas e uma barra de ferro atravessou-a entrando pela bacia e saindo pela vagina. Começou a pintar durante a convalescença, quando a mãe pendurou um espelho em cima de sua cama.
O encontro com Diego Riveras resultou em casamento em 1929. Ele foi o pintor mexicano mais importante do século 20 e fez parte do movimento muralista, que defendia a arte acessível.Rivera, ajudou Frida a revelar-se como artista. A paixão de Frida por Diego é circunscrita numa relação amorosa bastante tumultuada: (...) eu o amo mais que a minha própria pele (...)
Podemos observar através dos seus quadros algo a mais, suplementar que refletia o momento pelo qual passava e, embora fossem bastante fortes , não eram surrealistas: Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei minha própria realidade .Ela se fez representar publicamente. Pintou seu próprio rosto em muitos quadros que produziu. Notabilizou-se como artista plástica. Circunscreveu sua dor, através da arte.
Deixa nas páginas desse diário o produto do diálogo solitário que entretinha consigo mesma, seus gritos de dor, suas confissões amorosas a Diego Rivera, o amor permanente em meio a tantas outras experiências amorosas que não se impediu de ter. Por aí podemos refletir sobre a dor de Frida: algo devastado e naturalmente, sem limites. Vemos no seu sofrimento, a outra face do amor.
Sua obra a faz existir e persistir. São ao todo cerca de 70 gravuras coloridas -
desenhos, cartas, auto-retratos que nos levam a conhecer o processo criativo da artista e o modo original de falar das vicissitudes de sua vida. O interessante é que em todas estas referências, construídas de palavras, desenhos e cores, observam um retrato belo e tão bem delineado pela criação singular de sua experiência sofrida traduzida em humor, e em cores vivas e exuberantes. Frida se constitui, uma marca singular. Por aí, vemos em suas obras de arte o quanto esta inscrição feminizou esta personagem da história mexicana que pulsou em carne viva alcançando uma identidade própria. Por intermédio da arte Frida Kahlo fez o seu sofrimento mais suportável . Além disso, se tornou imortal.

Através da história de Frida podemos fazer várias interrogações sobre a vida amorosa. Que lugar dar ao homem em sua vida, sem fazer dele a sustentação de sua existência? Como se identificar imaginariamente com o desejo dele? Estas são perguntas que se colocam para muitas mulheres.


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