DOR DE COTOVELO
(Caetano Veloso)
O ciúme dói nos cotovelos
na raiz dos cabelos
gela a sola dos pés
faz os músculos ficarem moles
e o estômago vão
e sem fome
Dói da flor da pele ao pó do osso
rói do cóccix até o pescoço
Acende uma luz branca em seu umbigo
você ama o inimigo
e se torna inimigo do amor
o ciúme dói do leito à margem
dói pra fora na paisagem
arde ao sol do fim do dia
Corre pelas veias na ramagem
atravessa a voz e a melodia.
domingo, outubro 30, 2005
Tantas Palavras
Tantas palavras
Que eu conhecia
Só por ouvir falar, falar
Tantas palavras
Que ela gostava
E repetia
Só por gostar
Não tinham tradução
Mas combinavam bem
Toda sessão ela virava uma atriz
"Give me a kiss, darling"
"Play it again"
Trocamos confissões, sons
No cinema, dublando as paixões
Movendo as bocas
Com palavras ocas
Ou fora de si
Minha boca
Sem que eu compreendesse
Falou c'est fini
C'est fini
Tantas palavras
Que eu conhecia
E já não falo mais, jamais
Quantas palavras
Que ela adorava
Saíram de cartaz
Nós aprendemos
Palavras duras
Como dizer perdi, perdi
Palavras tontas
Nossas palavras
Quem falou não está mais aqui
Letra gravada noLP Chico Buarque, 1984*
Que eu conhecia
Só por ouvir falar, falar
Tantas palavras
Que ela gostava
E repetia
Só por gostar
Não tinham tradução
Mas combinavam bem
Toda sessão ela virava uma atriz
"Give me a kiss, darling"
"Play it again"
Trocamos confissões, sons
No cinema, dublando as paixões
Movendo as bocas
Com palavras ocas
Ou fora de si
Minha boca
Sem que eu compreendesse
Falou c'est fini
C'est fini
Tantas palavras
Que eu conhecia
E já não falo mais, jamais
Quantas palavras
Que ela adorava
Saíram de cartaz
Nós aprendemos
Palavras duras
Como dizer perdi, perdi
Palavras tontas
Nossas palavras
Quem falou não está mais aqui
Letra gravada noLP Chico Buarque, 1984*
A busca
As vezes me pergunto porque as pessoas estão sempre em busca de alguma coisa. Essa ânsia de procura, sem saber o que........ Por que simplesmente deixar as coisas acontecerem naturalmente. É um maratona, infindável, angustiante, insaciável..................
quarta-feira, setembro 21, 2005
segunda-feira, setembro 19, 2005
Talvez Abandonado
Nem sei muito bem porque abandonei por uns tempos este espaço. Talvez o tempo, talvez a vontade, talvez............
Talvez eu tenha me abandonado também, só dando espaço para o "fora de mim". Talvez eu não esteja querendo olhar para dentro de mim e sentir, enchergar, pensar ou agir..........
A vida me apresenta surpresas estranhas que nem eu mesmo sei como recebê-las. Acho que preciso digerir cada momento, o que na realidade não o estou fazendo. Passei por um momento reflexivo, onde precisei me recolher a minha insignificância. Ainda não sei se realmente consegui visualizar o que está acontecendo no momento.
Os ponteiro do relógios que fazem voltas e mais voltas e eu não sei se devo acompanhá-los ou simplesmente contempla-los.
As pessoas entram e saem e nem mesmo nos damos conta que aquela energia viva esta passando por alí. Talvez não conseguamos perceber, porque o ponteiro do relógio dá voltas. Se eu tivesse que escolher, qual ponteiro escolheria o dos segundos, minutos ou horas? Ainda não sei. Talvez o das horas pois assim poderia saborear mais o momento presente..........
Gostaria muito de ser o tempo, mas simplesmente passo com ele. Ele vê tudo e eu apenas uma parte..........
Talvez tudo isso seja somente uma parte do tempo, inclusive este texto.......
Talvez amanhã não exista mais talvez,
Mas isso tudo, talvez............
Talvez eu tenha me abandonado também, só dando espaço para o "fora de mim". Talvez eu não esteja querendo olhar para dentro de mim e sentir, enchergar, pensar ou agir..........
A vida me apresenta surpresas estranhas que nem eu mesmo sei como recebê-las. Acho que preciso digerir cada momento, o que na realidade não o estou fazendo. Passei por um momento reflexivo, onde precisei me recolher a minha insignificância. Ainda não sei se realmente consegui visualizar o que está acontecendo no momento.
Os ponteiro do relógios que fazem voltas e mais voltas e eu não sei se devo acompanhá-los ou simplesmente contempla-los.
As pessoas entram e saem e nem mesmo nos damos conta que aquela energia viva esta passando por alí. Talvez não conseguamos perceber, porque o ponteiro do relógio dá voltas. Se eu tivesse que escolher, qual ponteiro escolheria o dos segundos, minutos ou horas? Ainda não sei. Talvez o das horas pois assim poderia saborear mais o momento presente..........
Gostaria muito de ser o tempo, mas simplesmente passo com ele. Ele vê tudo e eu apenas uma parte..........
Talvez tudo isso seja somente uma parte do tempo, inclusive este texto.......
Talvez amanhã não exista mais talvez,
Mas isso tudo, talvez............
quarta-feira, setembro 07, 2005
Cecília Meireles
Serenata
Cecília Meireles
Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.
Cecília Meireles
Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.
sábado, agosto 27, 2005
Má Educação
Ontem fui ao clube do choro para assistir Leandro Braga e Rodrigo tocarem. Fiquei impressionado com a má educação das pessoas. Gente batendo papo, outros atendendo celular, outros gritando pelo garçon. Minha indignação chegou ao ponto de ir embora no intervalo, pois não conseguia prestar mais atenção aos músicos com tamanha barulheira. Jurei nunca mais ir neste local, não pelas instalções mas pelo público que frequenta que não tem o mínimo respeito aos músicos. Depois quando dizem que este é um país de TUPINIKINS a gente fica puto. Mas é bom refletir antes.
Vamos ser um pouco mais educados e respeitar a arte dos outros ou então ficamos em casa para bater papo e atender telefones.
Fica aqui meu protesto. Fui me divertir e só me irritei.
Vamos ser um pouco mais educados e respeitar a arte dos outros ou então ficamos em casa para bater papo e atender telefones.
Fica aqui meu protesto. Fui me divertir e só me irritei.
terça-feira, agosto 23, 2005
Fernando Pessoa
"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." (Fernando Pessoa)
sábado, agosto 06, 2005
Texto de Caio Fernando Abreu
....Porque é um pouco assim que a gente vai ficando, pura expectativa há anos (muitos) não satisfeita. De repente, você começa a ponderar se não será assim mesmo o jeito das coisas, o jeito "certo" delas, por mais que pareça errado. Melancólico? Não sei bem. Talvez seja o jeito das coisas, só isso. Chega-se no zen? Ou esse é apenas o lado mais artístico de uma solidão quase tão grande quanto a daquelas velhas tias solteironas, qua ao invés de escreverem ficção faziam docinhos, bordavam toalhinhas? Coisas assim.......
segunda-feira, agosto 01, 2005
Agosto
Primeiro de agosto, mais um mes que começa de 2005. Começou bem um dia ensolarado sem nenhuma núvem no céu. Pássaros cantado e muito trabalho me esperando. O FIB está na sua semana final. Foi muito gratificante trabalhar neste festival. Aprendi muita coisa. As pessoas são ótimas e nos entrosamos muito bem. Martha Heer, Denise Tavares, Lenine Santos Richard Whide......todos pessoas maravilhosas. Agradeço o tempo que compartilhamos juntos.
sexta-feira, julho 15, 2005
Caio Fernando Abreu
"...Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se não fosse nada..." ( Caio Fernado Abreu, em "Os dragões não conhecem o paraíso")
quinta-feira, julho 14, 2005
Fernando Pessoa
Doze signos do céu o Sol percorre
Doze signos do céu o Sol percorre,
E, renovando o curso, nasce e morre
Nos horizontes do que contemplamos.
Tudo em nós é o ponto de onde estamos.
Ficções da nossa mesma consciência,
Jazemos o instinto e a ciência.
E o sol parado nunca percorreu
Os doze signos que não há no céu.
Doze signos do céu o Sol percorre,
E, renovando o curso, nasce e morre
Nos horizontes do que contemplamos.
Tudo em nós é o ponto de onde estamos.
Ficções da nossa mesma consciência,
Jazemos o instinto e a ciência.
E o sol parado nunca percorreu
Os doze signos que não há no céu.
domingo, julho 03, 2005
Domingo de Sol
Como resistir a um domingo de sol e não sair? Acho que não é possível. Deveria trabalhar mas preciso entrar em contato com o sol este astro que é vida e te traz luz. Céu completamente azul turquesa sem nenhuma núvem. Oh! céu de Brasília vc nos contempla a cada dia com uma pintura diferente. Morar aqui é realmente estar em contato com o paraíso. Não escolhemos morar aqui, somos escolhidos. Aqui onde tudo parece tão perto, mas que está tão distante, onde vc caminha e não chega. Aqui onde as esquinas são inesixtentes e temos muitos "rond-point" com flores coloridas, com pessoas plantadas pelas ruas como se fossem estátuas de cera. Estas pessoas que passam pelas ruas de etnias mil. Essa infinidade de pássaros que se mistura com a população. Será que um dia também seremos alados e poderemos planar com os pássaros?
Bom isso tudo está me esperando lá fora.
Bom isso tudo está me esperando lá fora.
sexta-feira, julho 01, 2005
Homem Sentado (Ferreira Gullar)
Neste divã recostado
à tarde
num canto do sistema solar
em Buenos Aires
(os intestinos dobrados
dentro da barriga, as pernas
sob o corpo)
vejo pelo janelão da sala
parte da cidade:
estou aqui
apoiado apenas em mim mesmo
neste meu corpo magro mistura
de nervos e ossos
vivendo
à temperatura de 36 graus e meio
lembrando plantas verdes
que já morreram
à tarde
num canto do sistema solar
em Buenos Aires
(os intestinos dobrados
dentro da barriga, as pernas
sob o corpo)
vejo pelo janelão da sala
parte da cidade:
estou aqui
apoiado apenas em mim mesmo
neste meu corpo magro mistura
de nervos e ossos
vivendo
à temperatura de 36 graus e meio
lembrando plantas verdes
que já morreram
ME LEVE (Cantiga para não morrer) - Ferreira Gullar
Quando você for se embora
moça branca como a neve me leve,
me leve
Se acaso você não possa
me carregar pela mão
Menina branca de neve
me leve no coração
Se no coração não possa
por acaso me levar
Moça de sonho e de neve
me leve no seu lembrar
e se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento
Moça branca como a neve
me leve no esquecimento
quarta-feira, junho 29, 2005
sábado, junho 25, 2005
Mulher no Espelho
(Cecília Meireles)
Hoje, que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.
Já fui loura, já fui morena,
Já fui Margarida e Beatriz,
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira,
a moda, que vai me matando.
Que me levem pele e caveiraao nada,
não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus,
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.
Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.
(Cecília Meireles)
Hoje, que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.
Já fui loura, já fui morena,
Já fui Margarida e Beatriz,
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira,
a moda, que vai me matando.
Que me levem pele e caveiraao nada,
não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus,
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.
Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.
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